Globalização da água: água virtual e pegada hídrica

14:33:00 Professora Manuka 0 Comentários

Você já ouviu falar de água virtual? Não se trata de nenhum líquido que corre entre os sites da internet, mas aquela água que consumimos sem saber quando compramos roupas, alimentos e qualquer outro produto industrializado. Acompanhe:

Imagens: Freepik.

A água industrial, somada à água consumida diretamente por um indivíduo ou uma população, recebe o nome de pegada hídrica. A pegada hídrica leva em conta não apenas a água agregada aos produtos, mas também o volume poluído na cadeia produtiva.

Nem todos os países deixam uma pegada hídrica equivalente à disponibilidade de água em seu território.

A razão desse descompasso nas contas é a importação de bens: as nações pobres em água compram do estrangeiro alimentos e produtos industriais e, com eles, importam – na forma de água virtual – o recurso coletado de bacias hidrográficas de outras regiões do globo.

A Jordânia, por exemplo, retira a cada ano apenas 1 bilhão de metros cúbicos de água de seus rios e aquíferos. Mas consome sete vezes mais água (na forma virtual) contida nos produtos que importa.

É por esse mecanismo que os chineses afetam as bacias hidrográficas brasileiras quando compram nosso frango e, no sentido inverso, os brasileiros consomem parte da água das bacias chinesas em cada eletrônico made in China.

A globalização, que tornou interdependentes os mercados espalhados pelo planeta, reforçou também o comércio internacional de água virtual.

Entre 1997 e 2001, o comércio internacional transferiu de um país a outro algo em torno de 1 trilhão de metros cúbicos de água virtual por ano, apenas em produtos agropecuários.


Se incluirmos aí os produtos industriais, o fluxo anual de água virtual superou 1,6 trilhão de metros cúbicos.

Desse total, 61% do volume viaja invisivelmente em grãos, e outros produtos vegetais, animais e derivados representam 17%. Os produtos industriais utilizam 22% - ou seja, 88% da água virtual transferida entre nações diz respeito diretamente à alimentação da humanidade.

O Brasil está entre os maiores exportadores de água virtual do mundo, ao lado dos Estados Unidos, do Canadá e da França. Mas, como todas as demais nações, também importamos água virtual.

No saldo final – a diferença entre exportação e importação –, algumas ganham mais do que transferem. Os EUA, por exemplo, perderam entre 1997 e 2001 mais de 53 milhões de metros cúbicos por ano.

Já a Alemanha ganhou 35 bilhões. No mesmo período, o Brasil exportou a cada ano 67,8 bilhões de metros cúbicos – 97% na forma de produtos agropecuários – e teve um saldo negativo de quase 45 bilhões de metros cúbicos.

O comércio de água virtual tem um lado bom e outro nem tanto. O aspecto positivo é que essa transferência de água entre as nações alivia a escassez hídrica nos países mais carentes de mananciais.

A exportação, nesse caso, funciona como uma espécie de instrumento de democratização do bem natural. Por outro lado, a produção de mais alimentos para vender a outras nações exerce pressão sobre os mananciais dos países exportadores.

Água: líquido de comer
Bastam 50 litros de água por dia para que uma pessoa mantenha a higiene, mate a sede e prepare as refeições. Mas, quando se inclui no cálculo a água necessária para produzir os alimentos básicos que chegam a nossa mesa, cada cidadão precisa de muito mais – algo em torno de 3.600 litros por dia.

Isso significa que, no decorrer de um ano, uma pessoa precisa de mais de 1 milhão de litros, cerca de dois quintos do volume de uma piscina olímpica.

Mas a água que se usa em casa, aquela que sai de torneiras e chuveiros, representa uma pequena parcela de tudo o que cada cidadão consome – no total, apenas 10% do consumo mundial.

Para o consumidor doméstico, os restantes 90% vêm na forma de água invisível, dissolvida nos mais diferentes produtos e atividades. A agricultura e a pecuária são, de longe, as atividades responsáveis pela maior parte do consumo de água.

Cerca de 70% do que é extraído dos rios e aquíferos se destina à produção agropecuária. Para garantir safras de arroz, trigo e leite, o homem reduziu a vazão de grandes rios.


Considere o seguinte café da manhã reforçado: uma xícara de café, um copo de leite, uma fatia de pão, outra de queijo, um ovo quente e um copo de suco de laranja.

Quem ingerir essa refeição consumirá indiretamente mais de 600 litros de água – o volume utilizado para irrigar as plantações de café, de laranja e de trigo e para matar a sede do gado que deu o leite e alimentar com ração a ave que botou o ovo.

Se nosso convidado para o café da manhã estiver usando uma camiseta de algodão e um tênis de couro, a dívida para com as fontes hídricas mundiais subirá mais 10.000 litros.

Isso sem contar a água empregada na fabricação da mesa e das cadeiras da sala, a eletricidade consumida pela geladeira, na qual os alimentos foram conservados, o combustível utilizado no transporte dos alimentos do campo para as prateleiras do supermercado etc.

Enfim, tudo o que a sociedade moderna consome, de alimentos e ligas metálicas a eletricidade e petróleo, só existe porque a água foi utilizada como matéria-prima ou como insumo, na produção do bem ou do serviço.

Fonte:


Ciências Humanas – Geografia 1 / Abril Coleções – São Paulo: abril de 2010. 

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A história da língua inglesa

07:00:00 Professora Manuka 0 Comentários

A língua inglesa tem suas raízes em uma história distante e muita complexa, marcada pela influência de diversas línguas. Acompanhe:

Imagem: Freepik.

Sítios arqueológicos indicam que as terras úmidas encontradas pelos romanos, mais tarde denominadas Britannia, já possuíam uma cultura de mais de 8 mil anos, a cultura celta, embora pouco se saiba a respeito.

Por volta de 1.000 a.C., os celtas invadiram algumas regiões hoje conhecidas como Espanha, França, Alemanha e Inglaterra, e a língua celta tornou-se a principal na Europa.

As primeiras invasões romanas em terras da Britannia ocorreram em 55 e 54 a.C., sob o comando de Júlio César, imperador de Roma. Assim, o dialeto celta recebeu grande influência do latim e sobrevive ainda hoje em certas regiões da Escócia, do país de Gales, da Irlanda e da Ilha de Man.

O império romano em crise, em 410 d.C., retirou-se da Britannia, deixando seus habitantes celtas na mãos de seus inimigos Scots e Picts. Uma vez que Roma já não dispunha de forças militares para defendê-los, os celtas, em 449 a.C., recorreram às tribos germânicas para pedir ajuda.

Entretanto, de forma oportunista, elas acabaram tornando-se invasores, estabelecendo-se no sudoeste da Grã-Bretanha, destruindo vilas e massacrando a população local. Prova da violência dos invasores é o fato de que não há traços da língua celta no inglês.

São os dialetos germânicos falados pelos anglo-saxões que deram origem ao inglês. A partir daí, a história da língua inglesa foi dividida em três períodos: Old English, Middle English e Modern English.

A primeira metade do século V, quando ocorreram as invasões germânicas, marcou o início do período denominado Old English.

Comparado ao inglês moderno, o Old English é uma língua praticamente irreconhecível, tanto na pronúncia, quanto no vocabulário e na gramática. A correlação entre pronúncia e ortografia era muito mais próxima do que no inglês moderno.

No plano gramatical, os substantivos declinam, têm gênero (masculino, feminino e neutro), e os verbos são conjugados.

No fim do século VIII, o Old English passou a receber a influência escandinava. Os vikings, que se estabeleceram na Inglaterra, eram predominantemente provenientes da Dinamarca e falavam dinamarquês.

Rotas das Viagens dos Vikings.
Fonte: imagens públicas do Google.

Esses mais de 200 anos de presença de dinamarqueses na Inglaterra naturalmente interferiram no Old English. Entretanto, devido à semelhança entre as duas línguas, tornou-se difícil determinar essa influência com precisão.

A Batalha de Hastings, em 1066, foi um evento histórico de grande importância para a Inglaterra. Nesse combate, o exército normando, oriundo do norte da França, sob o comando de William, o Conquistador, derrotou o exército dos anglo-saxões, colocando novamente a Inglaterra e, consequentemente, a língua inglesa sob a influência de povos invasores.

Durante os 300 anos que se seguiram, o francês foi a língua oficial e mais falada pela aristocracia.

Essa batalha representou não só uma drástica reorganização política, como também alterou os rumos da língua inglesa, marcando o início de uma nova era: o Middle English.

O elemento mais importante do período correspondente ao Middle English foi, sem dúvida, a forte presença e a influência da língua francesa no inglês, que resultaram quase que unicamente num aporte considerável do vocabulário.

O passar dos séculos e as disputas ocorridas entre os normandos das ilhas britânicas e do continente provocaram o surgimento de um sentimento nacionalista, e, no fim do século XV, já se torna evidente que o inglês havia prevalecido, até mesmo como linguagem escrita, pois substituiu o francês e o latim.

Deu-se início, assim, um novo período, o Modern English. Enquanto o Middle English caracterizou-se por uma acentuada diversidade de dialetos, o Modern English representou um período de padronização e unificação da língua.

O advento da imprensa, em 1475, e a criação de um sistema postal, em 1516, possibilitaram a disseminação do dialeto de Londres, já estabelecida como centro político, social e econômico da Inglaterra.

O inglês moderno constituiu-se, então, de uma mescla de influências sofridas pelo idioma no decorrer da História. A fonologia advém do anglo-saxão; o vocabulário registra, aproximadamente, meio milhão de verbetes, conforme o The Oxford English Dictionary.

No aspecto morfológico e sintático, a característica mais importante é a flexibilidade das funções gramaticais. Assim, pronomes, adjetivos e advérbios podem assumir a função de adjetivos.

Estima-se, atualmente, que mais de 450 milhões de pessoas falem inglês em todo o mundo. Isso ocorre devido ao grande poderio político e econômico do império britânico, associado aos meios de comunicação e, hoje, principalmente, à globalização.

Fonte:

Adaptação do texto de Ricardo Schültz, História da Língua Inglesa, in English Made in Brazil. 

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A história geológica da formação do petróleo do pré-sal

07:00:00 Professora Manuka 0 Comentários

O petróleo do pré-sal surgiu de um rico depósito de matéria orgânica (restos de plantas e animais) que, desde 135 milhões de anos atrás, foi prensado por grossas camadas de rocha e sal, transformando-se em petróleo. Acompanhe:

Fonte: Imagens públicas do Google.

O estrato do pré-sal está a cerca de 7.000 metros de profundidade, embaixo de uma camada de sal de mais de 2 quilômetros de espessura (daí o nome pré-sal). Os poços ocupam uma faixa de 800 quilômetros do litoral brasileiro, que se estende de Santa Catarina ao Espírito Santo.

Estima-se que lá estejam guardados cerca de 80 bilhões de barris de petróleo e gás, o que deixa o Brasil na privilegiada posição de o sexto maior detentor de reservas no mundo, atrás apenas de: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.

A formação do petróleo está relacionada ao movimento das placas tectônicas e à formação das bacias sedimentares. Há 185 milhões de anos, África e América do Sul faziam parte de um único e imenso continente chamado Gondwana (a outra porção continental da Terra chamava-se Laurásia).

Em virtude das forças de convecção causadas pelo resfriamento do magma, as placas tectônicas começaram a se afastar, provocando uma fratura entre os dois atuais continentes.
Laurásia e Gondwana: período triássico, há 200 milhões de anos atrás.
Fonte: imagens públicas do Google.

Com o afastamento das placas tectônicas, as águas das chuvas passaram a se acumular nas falhas geológicas, dando origem a grandes lagos de água salobra e quente.

Fundos e com baixo nível de oxigenação, esses lagos acabaram se transformando em grandes depósitos de matéria orgânica, como folhas e animais mortos, que também se acumulavam em seu interior.

Enquanto os continentes continuavam se afastando, a matéria orgânica foi se misturando a partículas finas de argila, areia, calcário e conchas. A mistura deu origem a uma grande camada de rocha sedimentar porosa, na qual ficou armazenado o material que, milhões de anos mais tarde, se transformou em petróleo.

Formou-se também uma camada de sal, com mais de dois quilômetros de espessura, que cobriu o denso depósito de matéria orgânica. No decorrer desses milhões de anos, o mar expandiu-se de vez e os sedimentos de rocha depositados sobre a camada de sal acabaram formando o leito do oceano Atlântico.

Soterrada abaixo desses gigantescos blocos de rocha e de sal, a matéria orgânica passou por enorme pressão, transformando-se, por fim, no petróleo da camada pré-sal. A quase 7.000 metros de profundidade, o óleo dessas áreas é bem mais puro: sofreu pouca ação de bactérias, que dificilmente sobrevivem à temperatura local de mais de 100 °C.

A camada de sal é impermeável, mas tem falhas geológicas. Através dessas fissuras, cuja porosidade é preenchida com água, parte do petróleo do pré-sal acaba subindo e fixando-se em bolsões da camada de rochas.

Em locais como esses é que se encontram algumas das jazidas de petróleo oceânicas já exploradas, como a da Bacia de Campos (RJ).

Como o petróleo vai ser extraído do pré-sal?
As reservas de petróleo brasileiras assentadas sob o pré-sal são estimadas entre 40 bilhões e 80 bilhões de barris.

Broca usada para perfurar em busca de petróleo.
Fonte: imagens públicas do Google.

Sabe-se que pelo menos três áreas já analisadas – os campos de Tupi e Iara, na Bacia de Santos, e Parque das Baleias, na Bacia de Campos – guardam 14 bilhões de barris, o que faria o Brasil dobrar suas reservas e se transformar em um dos grandes países exportadores de petróleo, uma matéria-prima cada vez mais rara no mundo.

Tanta riqueza, porém, vem acompanhada de desafios tecnológicos. O petróleo do pré-sal está localizado em recantos de acesso dificílimo, distante cerca de 7.000 metros das plataformas.

A Petrobrás estima que, até 2020, terá de investir mais de 100 bilhões de dólares na extração – o total pode chegar a 600 milhões. O dinheiro será gasto, sobretudo, com a criação de tecnologias para tirar o petróleo de locais tão profundos.

Será necessário criar brocas eficientes o bastante para perfurar as rochas de carbonato de cálcio, onde o petróleo está armazenado. Para chegar até os poços, também é preciso fixar cabos de âncora para dar estabilidade à plataforma.

Fonte:

Ciências Humanas – Geografia 1 / Abril Coleções – São Paulo: abril de 2010. 

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Estalactites e estalagmites: a arte da água nas cavernas 

Uma maçã realmente caiu na cabeça de Newton?

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Inclinação do eixo da Terra e as estações do ano

07:00:00 Professora Manuka 0 Comentários

A atual distribuição das estações no decorrer do ano acontece por um acaso astronômico: o eixo de rotação da Terra é levemente inclinado em relação ao plano do Sol. Esse detalhe, definido há bilhões de anos, faz algumas regiões ganharem mais calor do que outras, dependendo dos meses do ano. Acompanhe:

Imagens: Freepik.

Como sabemos desde os primeiros anos da escola, a Terra tem uma forma esférica. Esse formato de bola de futebol traz uma consequência óbvia: os raios solares batem diretamente nas regiões próximas à linha do Equador.

Quanto mais nos afastamos do meio do planeta, maior é a inclinação com que os raios solares chegam à superfície terrestre. Nascem, assim, diferentes zonas climáticas: polares (mais frias), temperadas (entre os círculos polares e os trópicos) e tropicais (regiões quentes entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio).

Tem mais: a Terra é uma esfera com o eixo levemente inclinado em relação ao Sol. Por isso, durante os 365 dias do ano (temo que a Terra leva para efetuar um movimento completo de translação ao redor da estrela), os raios solares chegam com mais ou menos intensidade no Hemisfério Sul e no Hemisfério Norte.

A partir de dezembro, os raios solares batem perpendicularmente no Hemisfério Sul. Começa, assim, o verão nas regiões que estão abaixo da linha do equador.

Em junho, é o contrário. Enquanto o Sul vive o inverno, o Hemisfério Norte recebe os raios solares com mais intensidade, abrindo-se para o verão.

Pelo mesmo motivo, a duração do dia e da noite muda de acordo com os meses. No verão de cada hemisfério, os dias são mais longos; no inverno, mais curtos.

O dia mais curto do ano ganha o nome de solstício de inverno – no Norte, ele ocorre entre 21 e 23 de dezembro; no Sul, entre 21 e 23 de junho. Nas mesmas datas, mas com os hemisférios trocados, acontecem os solstícios de verão, quando os habitantes dessas regiões experimentam os dias mais longos do ano.

A diferença entre a duração do dia e da noite cai durante a primavera e o outono. Em 20 ou 21 de março e 22 ou 23 de setembro, eles têm exatamente 12 horas. Nessas datas, que ganham o nome de equinócios, os hemisférios são iluminados por igual.


E se o eixo da Terra não fosse inclinado?
Se o eixo da Terra fosse perpendicular ao Sol, cada região do planeta receberia a mesma quantidade de calor durante o ano todo e o clima seria sempre o mesmo. A falta de variação reforçaria os climas em cada região.

Os trópicos seriam ainda mais quentes e riquíssimos em vida vegetal e animal (as horas a mais de Sol favoreceriam a fotossíntese). As regiões de clima temperado que, no Brasil, vai de São Paulo ao Rio Grande do Sul, viveriam uma eterna primavera. E os polos, onde só haveria um sol fraquinho o ano todo, ficariam frios e desertos.

O que aconteceria se as estações do ano não existissem mais?
A falta de estações do ano mudaria a rotina do mundo animal. As grandes migrações de baleias e pássaros, por exemplo, não existiriam. Afinal, o que faz os gansos voarem por milhares de quilômetros todos os anos é o inverno e a escassez de comida.

As baleias que chegam à costa brasileira, por sua vez, aparecem por aqui no inverno para se reproduzirem em águas mais quentes que as da Antártida.  

A falta de estações do ano teria até mesmo implicações históricas. Não fosse o inverno inclemente que castigou as tropas nazistas na União Soviética, durante a Segunda Guerra Mundial, Hittler provavelmente venceria a batalha de Stalingrado, e a Alemanha dominaria a Rússia.

Com essa vitória, os nazistas teriam mais força para enfrentar os americanos – o que poderia mudar o desfecho daquele conflito.

Fontes:

Ciências Humanas – Geografia 1 / Abril Coleções – São Paulo: abril de 2010.

Revista SUPERINTERESSANTE, julho de 2003.

 - Veja também: 

Estalactites e estalagmites: a arte da água nas cavernas 


Carbono, compostos orgânicos e a origem da vida 

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