A história da língua inglesa

07:00:00 Professora Manuka 0 Comentários

A língua inglesa tem suas raízes em uma história distante e muita complexa, marcada pela influência de diversas línguas. Acompanhe:

Imagem: Freepik.

Sítios arqueológicos indicam que as terras úmidas encontradas pelos romanos, mais tarde denominadas Britannia, já possuíam uma cultura de mais de 8 mil anos, a cultura celta, embora pouco se saiba a respeito.

Por volta de 1.000 a.C., os celtas invadiram algumas regiões hoje conhecidas como Espanha, França, Alemanha e Inglaterra, e a língua celta tornou-se a principal na Europa.

As primeiras invasões romanas em terras da Britannia ocorreram em 55 e 54 a.C., sob o comando de Júlio César, imperador de Roma. Assim, o dialeto celta recebeu grande influência do latim e sobrevive ainda hoje em certas regiões da Escócia, do país de Gales, da Irlanda e da Ilha de Man.

O império romano em crise, em 410 d.C., retirou-se da Britannia, deixando seus habitantes celtas na mãos de seus inimigos Scots e Picts. Uma vez que Roma já não dispunha de forças militares para defendê-los, os celtas, em 449 a.C., recorreram às tribos germânicas para pedir ajuda.

Entretanto, de forma oportunista, elas acabaram tornando-se invasores, estabelecendo-se no sudoeste da Grã-Bretanha, destruindo vilas e massacrando a população local. Prova da violência dos invasores é o fato de que não há traços da língua celta no inglês.

São os dialetos germânicos falados pelos anglo-saxões que deram origem ao inglês. A partir daí, a história da língua inglesa foi dividida em três períodos: Old English, Middle English e Modern English.

A primeira metade do século V, quando ocorreram as invasões germânicas, marcou o início do período denominado Old English.

Comparado ao inglês moderno, o Old English é uma língua praticamente irreconhecível, tanto na pronúncia, quanto no vocabulário e na gramática. A correlação entre pronúncia e ortografia era muito mais próxima do que no inglês moderno.

No plano gramatical, os substantivos declinam, têm gênero (masculino, feminino e neutro), e os verbos são conjugados.

No fim do século VIII, o Old English passou a receber a influência escandinava. Os vikings, que se estabeleceram na Inglaterra, eram predominantemente provenientes da Dinamarca e falavam dinamarquês.

Rotas das Viagens dos Vikings.
Fonte: imagens públicas do Google.

Esses mais de 200 anos de presença de dinamarqueses na Inglaterra naturalmente interferiram no Old English. Entretanto, devido à semelhança entre as duas línguas, tornou-se difícil determinar essa influência com precisão.

A Batalha de Hastings, em 1066, foi um evento histórico de grande importância para a Inglaterra. Nesse combate, o exército normando, oriundo do norte da França, sob o comando de William, o Conquistador, derrotou o exército dos anglo-saxões, colocando novamente a Inglaterra e, consequentemente, a língua inglesa sob a influência de povos invasores.

Durante os 300 anos que se seguiram, o francês foi a língua oficial e mais falada pela aristocracia.

Essa batalha representou não só uma drástica reorganização política, como também alterou os rumos da língua inglesa, marcando o início de uma nova era: o Middle English.

O elemento mais importante do período correspondente ao Middle English foi, sem dúvida, a forte presença e a influência da língua francesa no inglês, que resultaram quase que unicamente num aporte considerável do vocabulário.

O passar dos séculos e as disputas ocorridas entre os normandos das ilhas britânicas e do continente provocaram o surgimento de um sentimento nacionalista, e, no fim do século XV, já se torna evidente que o inglês havia prevalecido, até mesmo como linguagem escrita, pois substituiu o francês e o latim.

Deu-se início, assim, um novo período, o Modern English. Enquanto o Middle English caracterizou-se por uma acentuada diversidade de dialetos, o Modern English representou um período de padronização e unificação da língua.

O advento da imprensa, em 1475, e a criação de um sistema postal, em 1516, possibilitaram a disseminação do dialeto de Londres, já estabelecida como centro político, social e econômico da Inglaterra.

O inglês moderno constituiu-se, então, de uma mescla de influências sofridas pelo idioma no decorrer da História. A fonologia advém do anglo-saxão; o vocabulário registra, aproximadamente, meio milhão de verbetes, conforme o The Oxford English Dictionary.

No aspecto morfológico e sintático, a característica mais importante é a flexibilidade das funções gramaticais. Assim, pronomes, adjetivos e advérbios podem assumir a função de adjetivos.

Estima-se, atualmente, que mais de 450 milhões de pessoas falem inglês em todo o mundo. Isso ocorre devido ao grande poderio político e econômico do império britânico, associado aos meios de comunicação e, hoje, principalmente, à globalização.

Fonte:

Adaptação do texto de Ricardo Schültz, História da Língua Inglesa, in English Made in Brazil. 

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