Resenha: É Proibido Ser Diferente – Fernando Vaz


O livro traz a história de amor entre Carolina e Flávio, que ocorre em meio à luta por liberdade de pensamento situada na época da Ditadura Militar. Acompanhe:

Fonte: imagens públicas do Google.

Édson (também conhecido como Dom), pai de Caroline e Jaques (narrador da história) era um comunista convicto e idealista, que passava horas em seu escritório lendo e tinha em sua filha uma amiga para conversar e dividir seus ideais.

Selma, esposa de Édson, era seu oposto: uma mulher realista e prática. Professora dedicada e ainda cuidava dos afazeres da casa. A família morava num sítio na cidade de Leme, do qual tiravam uma parte de sua renda.  

Jaques e Caroline iam à escola diariamente na companhia de Flávio. Os dois meninos tinham a mesma idade – 14 anos – eram grandes amigos e estudavam juntos. Já Caroline tinha 17 anos.

Essa vida pacífica durou até 31 de março de 1964, quando os militarem destituíram o presidente João Goulart e tomaram o poder. Durante a noite, Édson teve que fugir devido à perseguição aos comunistas durante esse período.

Durante meses ele teve que ficar escondido da repressão. Toda cidade sabia que ele era comunista e era perigoso para si mesmo e para sua família permanecer ali em Leme.


Nesse meio tempo, Flávio pediu à Caroline que o ensinasse a dançar para o baile de formatura. Com o passar dos dias, eles foram convivendo e se tornando mais amigos.

Chegou o dia do baile e todos estavam empolgados com a formatura e o evento em si. A certa altura, Flávio beijou Caroline, fato que foi observado por Jaques através de uma janela.

Em uma manhã nevoenta e fria de julho, Dom retornou ao lar. Ficou sabendo do ocorrido no baile e desaprovou a relação de sua filha com um rapaz três anos mais novo.

Após uma discussão calorosa entre os dois, Selma interveio e disse ao marido para deixar que a filha se desiludisse sozinha e que seria somente um amor de adolescente.

A relação continuou até que Caroline teve que deixar Leme para estudar Ciências Sociais em São Paulo, em 1968. Flávio se negou a mudar para lá, preferindo ficar em Leme. A moça ficou furiosa, pois considerou covardia da parte dele não ir e terminou a relação.

Quem foi morar com Caroline em São Paulo foi seu irmão, que fazia cursinho enquanto ela se envolvia com seu curso e com um movimento estudantil.

No carnaval de 1969, os irmãos reencontraram Flávio num bar, mas agora ele estava namorando com Eva. Rasparam a cabeça do rapaz comemorando o fato de ter sido aprovado em Direito na USP.

Agora morando em São Paulo, Flávio foi ao encontro de Caroline. Ela lhe expôs sua luta e sua relação com movimentos contra a Ditadura. Ele pediu que ela desistisse e se entregasse a polícia, sendo respondido que seria um passaporte para o inferno.

A partir de então, Caroline não tinha mais paradeiro certo. Tanto Flávio quanto Jaques foram presos e interrogados se tinham relação com ela ou sabiam onde estava, mas foram soltos em poucos dias.

Depois de algum tempo, Caroline procurou seu irmão para se despedir, dizendo que iria fugir do Brasil. Entretanto, a polícia foi mais rápida e prendeu ela e outros resistentes.

Após esse fato, houve uma negociação pela liberdade de um embaixador preso em troca da libertação de presos, entre os quais estava Caroline. Dessa vez, ela deixou o país e foi viver em Estocolmo, na Suécia.

A jovem voltou ao Brasil por não se adaptar e sentir falta da família e de sua pátria. O plano dela agora era comprar uma fazenda no interior de Goiás e viver com um companheiro e um grupo de amigos.

Algum tempo depois, o irmão do companheiro de Caroline procurou Jaques para informar que uma força-tarefa da repressão foi a fazenda e matou todos que lá estavam, escondendo os corpos numa vala comum.

Conseguiram identificar o corpo de Caroline após comparar a arcada dentária com a ficha de um dentista ao qual Flávio a havia levado.

Após essa descoberta, começou a batalha para provar o acontecido e trazer os corpos de volta às suas famílias. Depois de muita luta, conseguiram provar a barbaridade ocorrida.

Édson não suportou a notícia de que sua filha havia sido morta e, já estando debilitado por causa de um infarto, acabou não resistindo. Houve, então, dois velórios: um para a filha e outro para seu pai. 

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Resenha: O Olhar de Azul – Júlio Emílio Braz

O livro O Olhar de Azul foi publicado na Coleção Deu no Jornal, na qual um grupo de 6 escritores se baseou em notícias de jornais para criar suas narrativas. Acompanhe:

Capa do livro O Olhar de Azul. Fonte: imagens públicas do Google.

O livro nos apresenta Azul, uma jovem que foi vítima, com um ano e nove meses, da poliomielite, mais conhecida como paralisia infantil, doença que destrói as células da medula espinhal e leva à perda de movimentos.

A personagem vive em um hospital e é acompanhada por sua mãe. A pólio afetou os músculos da caixa torácica, por isso precisa respirar com a ajuda de aparelhos. Azul diz que as pessoas foram abandonando-a pouco a pouco, inclusive seu pai.

Mesmo com esse cenário desanimador, ela não se deixa abater. Ao contrário, encontramos uma pessoa cheia de ideias, conhecimentos de diversas áreas como geografia e francês e muita personalidade.

A própria diz que não gosta de ser alvo da piedade dos outros e fuzila com o olhar qualquer um que se atrever a ter dó dela, pois é um ser vivo, “bem vivo”, nas palavras dela.

Embora não possa sair do hospital, Azul viaja com a mente, vai até bosques encantados, lagos de cristal, cachoeiras e colinas ensolaradas. A imaginação a leva para lugares que suas pernas não podem levar.

Além de imaginar, ela gosta de pintar – usando a boca. Colocando a paleta próximo ao rosto e usando a tela em branco para dar vazão aos sentimentos, inclusive de amor.

Amor? Essa é uma das reflexões que Azul nos traz: é possível amar uma pessoa nas condições dela? A pergunta gera sofrimento na personagem, mas não a impede de tentar conhecer pessoas.

Como ela as conhece? Através de chats na internet. Já chegou a namorar virtualmente por meses. Também mantém amigos virtuais. Ela diz que prefere o ciberespaço a gente que faz comentários maldosos sobre ela ser um peso para sua mãe.

Os amores de Azul deixaram a barreira virtual quando ela conheceu um médico novo no hospital, pelo qual se apaixonou perdidamente. Médico esse que tenta falar-lhe de esperança ou, ainda, lança-lhe olhares de piedade.

Essa relação para o médico foi apenas profissional, mas para a protagonista foi uma experiência intensa. A certa altura, ele não apareceu mais, mas ela não se deixou abater por isso. Sofreu, claro, mas continuou obstinada.

Obstinada com o quê? Com a vida, com as próximas experiências que teria, com os próximos sonhos e com os próximos amores.

Além da narrativa de Júlio Emílio Braz, as ilustrações de Rogério Borges nos ajudam a entrar mais ainda na trama. O livro traz também a reportagem que inspirou o autor a criar a obra, uma leitura tão emocionante quanto a estória.

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Resenha do filme Gaby: Uma História Verdadeira

Aniversário de 2 anos do Blog Professora Manuka

Mais um ano se passou e o Blog Professora Manuka completou 2 anos de existência. Foi um ano muito corrido e cheio de novas experiências e conquistas para mim, uma delas foi continuar com esse projeto que me dá muita alegria.

Imagem: Freepik.

1. Como foi o ano que se passou para o Blog Professora Manuka?

Embora não pudesse postar tanto quanto gostaria, ainda sim respondi os comentários de vocês, que são o maior retorno e minha maior motivação.

São os comentários que mostram que aquilo que oferecemos pode lhe ajudar ou melhorar um pouco seus estudos. Fico muito feliz quando as pessoas me dizem que fizeram uma boa prova ou que gostaram do post.

Não foram poucas as vezes que estava em um dia ruim e vi uma notificação de comentário do Blog ou do meu canal do Youtube e fiquei mais leve. Uma palavra sua pode mudar o dia de alguém, pense nisso!

2. Números do Blog Professora Manuka nesse ano que se passou

Nossos números cresceram, foi uma surpresa para mim e realmente muito gratificante ter mais pessoas acessando e aprendendo.

Tenho em média 1200 visitas diárias de forma orgânica (vindas dos buscadores, como Google, por exemplo).

No total de visualizações nesses 2 anos, temos 365000 visitas. Crescemos bastante.

Imagem: Freepik.

Novo ranking com as postagens mais vistas:

- 1º lugar: Exercícios sobre Modos Verbais, com 66620 visitas;  

- 2º lugar: Gírias do hip hop/rap e seus significados, com 33910 visitas;

- 3º lugar:  Homônimos perfeitos:definição e exemplos, com 17310 visitas.


A postagem com mais comentários foi: Minha experiência: 99freelas, nearjob,textbroker, textmaster e mais, com 44 comentários.

Acredito que ela tenha tantos comentários porque as pessoas decidiram contar suas experiências e agradecer, tudo isso enriqueceu muito o post e me deixou muito feliz por ver que foi útil a tanta gente.

3. Como anda o canal do Youtube Professora Manuka?

O canal Professora Manuka conta atualmente com 1900 inscritos e 298180 visualizações, muito abrigada! É realmente mais do que eu esperava.

Frequentemente as pessoas comentam agradecendo as aulas e eu adoro responder. Esse é meu maior retorno.

As críticas construtivas são sempre bem vindas e eu procuro melhorar sempre. Questões técnicas como áudio, microfone e entonação da voz são meio complicadas, mas procuro sempre melhorar para trazer um conteúdo com cada vez mais qualidade.

4. O que esperar do Blog para o futuro?

Compartilhar aprendizado e experiências foi o motivo pelo qual criei o blog Professora Manuka.

Podem esperar novos posts para falar sobre tudo que aconteceu nesse ano e, claro, puxando para o lado do aprendizado.

Acredito que eu aprendi mais do que ensinei. Aprendi o poder de um comentário de animar e colocar um sorriso no seu rosto, aprendi que a leitura te leva longe (adoro ler e estou tentando ler mais, não só por obrigação de cursos, mas ler o que gosto) e aprendi ame abrir mais para o novo.

Mais um ano, mais 365 chances de aprender com a vida e com as pessoas. Meu muito obrigada a cada um que leu, curtiu, comentou e compartilhou. Até a próxima!

Veja também:



Resenha 300 questões comentadas de Pedagogia

Estava buscando um livro sobre Pedagogia para estudar para concursos de nível superior e encontrei o livro 300 questões comentadas de Pedagogia da Editora 2B. Vou relatar neste post minha experiência com a compra e o que achei do que recebi. Acompanhe:

Capa do livro. Fonte: imagens públicas do Google.

Sou uma pessoa que aprende muito resolvendo questões, principalmente justificando por qual razão as erradas estavam erradas. Por causa disso, achei que esse livro iria me ajudar bastante nos estudos.

Após decidir comprar esse livro (comprei, não é publieditorial), fui pesquisar os preços. No mercado livre ele estava disponível e eu ainda teria que pagar frete, da mesma forma em outros sites. Por fim, acabei comprando pelo site da Editora 2B, que entregava sem frete.

Comprei na promoção por R$ 69,80. Antes de efetuar a compra, fui no site Reclame Aqui para ver a reputação da empresa, pois não podemos gastar nosso suado dinheirinho à toa. Como as avaliações eram mais positivas do que negativas, adquiri o livro.

- Experiência na compra do livro 300 questões de Pedagogia pelo site da Editora 2B

Comprei usando o celular. O site era bem limpo e responsivo (são aqueles que se adaptam ao formato da tela dos celulares).

Era de fácil navegação e foi tranquilo realizar a compra (você tem que fazer uma conta antes, com seus dados e endereço de entrega). Paguei com cartão de crédito.

Logo após a compra recebi um e-mail confirmando o pedido e outro e-mail com a nota fiscal eletrônica. Ponto positivo para a empresa.

- Tempo para receber e estado do livro entregue

Eles informaram no site que levaria um mês para chegar, mas acabou chegando em quinze dias.

Veio em um envelope plástico, envolvido em plástico bolha e ainda com um plástico selando o livro.

O exemplar chegou em perfeito estado. Ele possui orelha na capa e na contracapa, o que facilita a conservação dele por mais tempo. As folhas são brancas e um pouco mais finas do que uma folha de papel ofício.

Achei o tamanho da fonte bom para estudar e todas as folhas têm as questões distribuídas em duas colunas.

- Conteúdo

Embora na capa possua o nome Pedagogia destacado, o livro não tem só questões desse assunto. Como o próprio site da Editora 2B informa, ele possui questões comentadas de Língua Portuguesa, Matemática, Informática e Pedagogia.

Contracapa do livro com as matérias abordadas. Fonte: imagens públicas do Google.

Então por que tem o nome de Pedagogia 300 questões comentadas? Porque o foco é em Pedagogia. Pelo que vi no livro, mais da metade dele é só sobre essa matéria e o restante é dividido para as outras três.

Como o conteúdo está dividido:

1. Língua Portuguesa: página 11 a 72; 102 questões.

2. Matemática e Raciocínio Lógico: página 73 a 88; 24 questões.

3. Informática: página 89 a 100; 26 questões.

4. Pedagogia: página 101 a 224; 165 questões.

Ponto negativo

Só observei um aspecto falho na obra até agora, que foram dois erros de formatação. Talvez o pessoal da revisão tenha deixado passar.

Os erros que vi estavam na parte de informática do livro, em duas questões distintas:

Na página 90, na questão 5, o enunciado fala que as alternativas serão de acordo com a figura, mas esqueceram de colocar essa figura.

Na página 96, na questão 18, o erro está na correção que o autor faz das alternativas, lá na alternativa A, na qual está faltando o restante da explicação. A frase acaba de repente, sem pontuação nem nada.

Esses erros não impossibilitam o aprendizado com o livro, mas é algo frustrante ler com erro de digitação ou faltando uma imagem.

Ainda não li todas as questões para ver se existem mais erros, mas creio que isso não é algo frequente pelo que andei folheando. Talvez eles consertem isso em uma segunda tiragem.

Ainda assim, achei um bom investimento e fiquei feliz por ter comprado o livro. Dou nota 9,5 no geral. Se você tiver ficado interessado na obra, segue abaixo o link do site da Editora 2B: 

Livro 300 questões comentadas de Pedagogia

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Resenha - Uma menina estranha: autobiografia de uma autista

Exercícios sobre modos verbais

A parte, à parte e aparte quando usar cada um

As expressões a parte, à parte e aparte existem e cada uma possui seu uso de acordo com a Gramática. Acompanhe:

Imagem: Freepik.

A parte
Definição: artigo (a) + substantivo (parte). Uma porção do todo.

Exemplos: Quero receber a parte que me cabe da herança.
                  Qual foi a parte que você não entendeu?

À parte
Definição: sinônimo de separado(a).

Exemplos: Os candidatos serão entrevistados em uma sala à parte.
                  A taxa de serviço será cobrada à parte.


Fora à parte é uma expressão equivocada
Muitas pessoas usam a expressão fora à parte como sinônimo de separado ou não incluído, como no exemplo: “Vamos fazer as marmitas, mas o valor das quentinhas de alumínio é fora à parte.”

Para escrever a sentença corretamente, seria melhor usar:
“Vamos fazer as marmitas, mas o valor das quentinhas de alumínio é à parte.”
“Vamos fazer as marmitas, mas o valor das quentinhas de alumínio é cobrado por fora.”

Aparte
Definição: verbo apartar.

Exemplos:
"Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido." Josué 1:8
Eu preciso que você aparte a briga daqueles dois.

Aparte
Definição: interrupção ou contribuição na fala de alguém.

Exemplos:
No meu aparte na fala do presidente da empresa, esclareci melhor essa questão.
Posso fazer um aparte?

Aparte
Definição: sinônimo de apartamento.

Exemplos: Deixe as malas no meu aparte.

                  Passamos no seu aparte mais tarde.

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Diferenças entre as pirâmides do Egito e do México

Pirâmide é tudo igual? Não, já que não havia contato entre os povos do Egito e do México dois mil anos a.C. quando as pirâmides começaram a ser feitas. Acompanhe:

Sem comunicação, não houve influência recíproca na cultura da época e as construções mostram características variadas, como se vê abaixo.
 
1. Pirâmides do Egito

Pirâmide de Quéops. Fonte: imagens públicas do Google.

Assim como a pirâmide de Quéops, erguida em 2560 a.C. na cidade de Gizé, essas construções serviam como tumbas para os faraós.

Topo
Ápices bem definidos.

Aspecto externo
Paredes lisas, sem escadas ou objetos nas paredes. Revestimento de blocos de granito polido.

Acesso
Por corredores e câmaras intermediárias para alcançar o interior da construção, onde fica a tumba.

Base
Quadrada.

2. Pirâmides do México

Pirâmide de Chichen-Itzá. Fonte: imagens públicas do Google.

Assim como a pirâmide de Chichen-Itzá, erguida em data imprecisa entre os anos 600 e 800 na cidade de Mérida, as pirâmides do país eram construídas para abrigar altares.

Topo
Plano, para servir de base para a colocação do altar.

Aspecto externo
Escadas e esculturas incrustadas nas paredes. Revestimento de pedras não polidas.

Acesso
Por degraus para alcançar o alto da pirâmide onde ficavam os altares.

Base
Quadrada ou retangular.

Adaptado de:

Revista Nova Escola, ano 24, nº 224, p. 28. Ministério da Educação: agosto de 2009. 

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Roubo da fórmula da equação de 3º grau

A partir dos séculos XV e XVI, abre-se entre os matemáticos italianos uma das páginas mais curiosas da história da matemática. Acompanhe:

Imagem: Freepik.

Naquela época, a Itália era um dos maiores centros comerciais do mundo. Florença e Veneza progrediam a passos largos. Nesse ambiente conviviam desde as pessoas que tinham prática em cálculo até os mais famosos algebristas.

Os algebristas tinham por costume fazer debates públicos para resolver problemas algébricos, promovendo suas descobertas e proezas na matemática. Nesse tempo, estourou uma verdadeira guerra, que tinha como objetivo a equação do terceiro grau.

Tudo começou em 1494, quando Fra Luca Pacioli, na Suma de Arithmetica, afirmou que os matemáticos não sabiam solucionar uma equação do terceiro grau por métodos algébricos.
O primeiro a aceitar o desafio foi o professor de matemática da Universidade de Bolonha, Scipione del Ferro. 


Scipione conseguiu achar a solução para a equação do tipo x3 – bx + c = 0, mas por muito tempo manteve segredo sobre isso. Foi aí que entrou em cena o matemático Niccolo Fontana.

Pressentindo que ia morrer, Scipione revelou a um de seus alunos, Antonio Fiore, a solução da equação do terceiro grau. Com a fórmula, Fiore desafiou o matemático Niccolo Fontana, de apelido Tartaglia, a resolver 30 problemas do terceiro grau.

Tartaglia. Fonte: imagens públicas do Google.

Em contrapartida, Fiore deveria resolver 40 problemas propostos por Tartaglia. Em 40 dias, Niccolo resolveu os problemas. Mas Fiore não conseguiu nem um dos apresentados por Tartaglia.

Um pouco da História de Tartaglia
Em 1512, os franceses invadiram a cidade italiana de Bréscia. Niccolo Fontana tinha 12 anos e morava lá. Todos os habitantes se refugiaram na catedral. Isso de nada valeu, pois os invasores fizeram uma terrível chacina.

Nicolo escapou vivo, mas com grandes ferimentos, inclusive na boca, o que produziu uma enorme cicatriz que o tornaria gago para o resto da vida. Essa característica valeu-lhe o apelido de Tartaglia.

Muito pobre para frequentar uma escola, o pequeno Niccolo arrumou um livro para estudar e usava as pedras sepulcrais do cemitério como lousa. Vencendo todos os obstáculos, Tartaglia se tornaria professor de Matemática e Mecânica.

O roubo
Tartaglia sabia que Fiore conhecia a solução da equação x3 – bx + c = 0, mas desconhecia a solução da equação x3 – ax2 + c = 0, que era uma descoberta sua. Todos os problemas por ele apresentados teriam que ser resolvidos com essa equação.

Tanto Tartaglia como Scipione só conseguiram resolver equações incompletas do terceiro grau. Nas de Scipione faltava o termo em x2. Nas de Tartaglia, faltava o termo em x.

Mas foi na solução da equação completa que surgiu o roubo da fórmula, com a intromissão do inescrupuloso matemático italiano Girolamo Cardano (1501-1576).

Cardano. Fonte: imagens públicas do Google.

Com muita astúcia, Cardano conseguiu que Tartaglia lhe revelasse o seu método de resolução da equação do terceiro grau, comprometendo-se a guardar absoluto segredo.

Quebrando todos os juramentos feitos, publicou a solução no livro Ars Magna, no qual ainda afirmava que era ele o autor da descoberta.

Indignado, Tartaglia desafiou Cardano para um debate público. Este fugiu do confronto direto, mandando no lugar seu melhor aluno, Ludovico Ferrari, que foi totalmente derrotado.

Apesar de tudo, Cardamo teve seus méritos, pois, na Ars Magna, resolvera a equação completa do terceiro grau, apresentara a solução da equação do quarto grau e, além do mais, ainda considerara os números negativos como números.

Os matemáticos italianos da época, embora sem muito rigor, prepararam o campo para o formidável desenvolvimento que a matemática iria ter nos séculos seguintes.

Equações de vários graus   
A equação do segundo grau, ou quadrática, é uma expressão da forma ax2 + bx + c = 0, em que a, b e c são números conhecidos, e x é uma incógnita, que se deseja conhecer. Para isso, usa-se a seguinte fórmula:

x = – b ± √Δ
      2·a

A equação do terceiro grau expressa na forma: ax3 – bx + c = 0 pode ser resolvida por meio da seguinte fórmula, já bem mais complicada:

Fonte: imagens públicas do Google.

A solução de uma equação do quarto grau usando-se fórmulas que intervêm os coeficientes conhecidos sob os sinais de raiz é tão complicada que, na prática, os matemáticos lançam mão de outros processos de cálculo.

As equações de grau maior que quatro não têm uma fórmula de resolução usando-se radicais. Isso, contudo, não significa que não possamos resolver uma equação do quinto grau, do sexto grau, etc.

A solução de equações de grau maior que quatro, hoje em dia, é encontrada por processos de aproximação ou usando-se computadores, quando elas são muito complicadas.

Adaptado de:

OLIVEIRA, Antônio Marmo. A Álgebra e o furto da fórmula. Ciência Hoje na Escola, vol. 8. Matemática – Por quê e para quê? Rio de Janeiro, SBPC/Editora Global, 1999. 

-Veja também: 

Por que se usa x e outras letras para expressar incógnitas? 

Paradoxo do hotel infinito de Hilbert  

14 de março: dia do pi