Definição de luz: onda ou partícula?

15:07:00 Professora Manuka 0 Comentários

A luz faz parte do nosso dia a dia, mas temos dificuldade de descrevê-la ou defini-la. Seria ela uma onda ou uma partícula? É isso que iremos discutir. Acompanhe.

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A luz atravessa as paredes, mas retarda até parar quando atravessa gases ultra frios. Carrega informação eletrônica para rádio e TV, mas destrói a informação genética das células.

Ela se desvia quando toca construções e atravessa um buraco deixado por um prego, mas ricocheteia quando atinge pequenos elétrons.

Embora saibamos que, a princípio, a luz é o oposto da escuridão, a maior parte do seu espectro não é visível aos nossos olhos. Desde ondas de rádio de baixa frequência até raios gama de alta frequência, a luz está ao nosso redor, ricocheteia quando nos toca ou até mesmo nos atravessa.

Por ela ser tantas coisas ao mesmo tempo, definir a luz é quase um dilema filosofal. Devido a essa questão, ela continua nos surpreendendo a cada descoberta de novos materiais que afetam sua velocidade e trajetória de maneiras inesperadas.

Será que a luz é uma onda?
O que os raios X, as micro-ondas e as cores do arco-íris têm em comum é que todos são ondas – ondas eletromagnéticas para ser exato. Os meios em que se propagam não são materiais, como água ou ar, e sim uma combinação de campos elétricos e magnéticos.

Esses campos flutuantes exercem força sobre partículas carregadas – às vezes fazendo com que elas sejam sacudidas para cima e para baixo, como bolhas no oceano.

O que as separa em várias formas de luz é o seu comprimento de onda. Os nossos olhos são sensíveis à luz com comprimento de onda entre 750 nanômetros (vermelho) e 380 nanômetros (violeta), sendo que um nanômetro equivale a um bilionésimo do metro, ou ao tamanho de uma molécula.

Entretanto, o espectro visível – que pode ser visto através de um prisma – é apenas uma pequena fração de todo o espectro eletromagnético. O comprimento da luz abrange desde centenas de milhas para uma onda de rádio longa até um milionésimo de nanômetro para raios gama.

A energia da luz é inversamente proporcional ao comprimento de onda. Dessa forma, raios gama são um bilhão de bilhões mais energéticos do que ondas de rádio.

Ou seria a luz uma partícula?
A história não é feita só de ondas. A luz é composta de partículas chamadas fótons. Esse fato é mais facilmente observável em luzes com alta energia, como os raios X e os raios gama, mas também se aplica às ondas de rádio.

Um clássico exemplo da qualidade de partícula da luz é o efeito fotoelétrico, no qual ela atinge uma folha de metal, fazendo com que os elétrons voem para fora de sua superfície. Surpreendentemente, a luz com um comprimento de onda maior do que determinada medida não consegue liberar elétrons, não importando o quão brilhante seja sua fonte.

Uma teoria restrita sobre a luz não pode explicar tal princípio do comprimento de onda, uma vez que ondas muito longas deveriam acumular a mesma energia total de que ondas bem curtas.

Albert Einstein decifrou esse mistério em 1905, assumindo que as partículas de luz iam de encontro aos elétrons, como bolas de bilhar ao se chocarem. Somente partículas com comprimento de onda curto são capazes de dar um pontapé forte o bastante.

Apesar desse sucesso, a teoria das partículas nunca substituiu a teoria das ondas, uma vez que somente as ondas podem descrever como a luz interfere em si própria quando atravessa duas fendas.

Teremos, então, que conviver com a luz sendo tanto uma partícula quanto uma onda – às vezes agindo tão dura quanto uma rocha e às vezes tão suave quanto um sussurro.

Físicos retificam a personalidade dividida da luz, pensando em termos de feixes de onda, que se pode imaginar como um grupo de ondas de luz que viajam juntas como partículas em um feixe estreito.

Produzindo um espetáculo 
Ao invés de nos preocuparmos com o que a luz é, seria melhor nos concentrarmos no que ela faz. A luz agita, torce e impulsiona as partículas carregadas (como os elétrons) que residem em todos os materiais.

Essas ações da luz são específicas de cada comprimento de onda. Ou, para sermos mais específicos, cada material responde somente a um conjunto particular de comprimentos de onda.

Usemos uma maçã como exemplo. Ondas de rádio e raios X a atravessam diretamente, enquanto que a luz visível é barrada por várias moléculas da maçã, as quais absorvem a luz como calor ou a refletem de volta.

Se a luz refletida entra em nossos olhos, irá estimular os receptores de cor (cones) que são especificamente “sintonizados” para comprimentos de onda longos, médios ou curtos.
O cérebro, então, compara as diferentes respostas de cada cone para determinar que a maçã reflete a luz “vermelha”.

Veja agora outros exemplos de atividades específicas da luz:

- Ondas de rádio de uma estação local fazem com que os elétrons livres de uma antena de rádio oscilem. Eletrônicos sintonizados com a frequência da estação (ou comprimento de onda) podem decodificar o sinal oscilante em músicas ou palavras.   

- Um forno de micro-ondas aquece a comida de dentro para fora porque as micro-ondas penetram no alimento e fazem suas moléculas de água vibrarem. Essa oscilação molecular gera calor.

- Ao ficarmos próximos a uma fogueira, a luz infravermelha faz com que as moléculas de nossa pele vibrem, aquecendo-nos. Da mesma forma, nós perdemos calor quando essas mesmas moléculas emitem luz infravermelha.

- A luz do sol, muitos comprimentos de ondas visíveis e ultravioleta são ausentes ou escuros. Essas “sombras” ocorrem devido à captura de fótons pelos átomos, tais como hidrogênio e hélio, que compõem o sol. A energia capturada dos fótons é usada para impulsionar os elétrons dos átomos de um nível de energia para o outro.

- Um raio X de um esqueleto é possível devido ao fato de que o raio X atravessa os tecidos moles, mas é bloqueado pelos ossos densos. Entretanto, mesmo que estejam somente atravessando, os raios X e os raios gama ionizam as moléculas ao longo do caminho, isso significa que eles roubam elétrons das moléculas. As moléculas ionizadas podem danificar o DNA das células direta ou indiretamente. Algumas dessas alterações genéticas podem desencadear o câncer.

Tudo o que foi apresentado nos mostra que a luz apresenta várias formas de manipular a matéria. Talvez, essa dualidade se encaixe com o fato de que a verdadeira definição de luz – seja ela onda ou partícula – ainda seja um pergunta sem resposta.


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Nomes e movimentos das peças de xadrez

15:26:00 Professora Manuka 0 Comentários

O jogo de xadrez envolve dois oponentes, cada um tendo o total de 16 peças, as quais são formadas por seis personagens ou figuras representativas. Vejamos agora os nomes e movimentos de cada uma delas. Acompanhe:

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Peão
Sendo um jogo de guerra, o peão se encaixa no personagem do soldado de infantaria, que são os primeiros a ir para a batalha, ao mesmo tempo em que são necessários aos de nível mais alto, como o cavaleiro.

No total, cada jogador começa o jogo de xadrez com 8 peões no tabuleiro.

No primeiro movimento do peão, ele pode andar tanto 1 como 2 casas para frente, dependendo da sua estratégia de abertura.

Depois disso, entretanto, o peão só pode se mover 1 casa para frente a cada rodada e nunca pode se mover para trás.

Para capturar outra peça, o peão só pode capturar aquelas que estiverem em qualquer uma das casas nas diagonais a frente da sua posição.

Isso significa que, quando outra peça está na casa imediatamente a sua frente, em linha reta, o seu peão está preso e não pode se mover para frente até que a peça que o está bloqueando se mexa, ou até que uma peça inimiga esteja em uma posição permitida para a captura.

Cavalo
O cavalo é a peça que se assemelha a esse animal, sendo representada somente a sua cabeça.

Cada jogador começa a partida com dois cavalos do seu lado do tabuleiro.

Já foi dito que geralmente é o peão que realiza o primeiro movimento no xadrez, geralmente, mas nem sempre, uma vez que a habilidade do cavalo de pular outras peças permite que ele seja o único que pode se mover no início do jogo, além do peão.

O cavalo também é único na forma de se mover. Enquanto outras peças se movem em linha reta ou na diagonal, ele se mexe em formato de L.

Ele pode se mover tanto duas casas para frente e uma para a direita ou para a esquerda, quanto uma casa para a esquerda ou para a direita e duas para frente.

Qual dessas possibilidades você irá escolher dependerá, naturalmente, do potencial de vantagem da posição, de capturar, de evitar ser capturado, ou pela falta de opções quando suas outras peças estiverem bloqueando certas casas dentro dos limites de movimento do cavalo.

Bispo
No início do jogo, cada jogador tem 2 bispos no tabuleiro. Um deles guarda as casas claras e o outro guarda as casas de cor escura.

Na questão do movimento, os bispos se movem apenas na diagonal, mas também podem ir de um canto a outro do tabuleiro, dentro da sua respectiva cor.

Isso faz com que o bispo seja uma ameaça de longa distância para o seu oponente. Entretanto, obviamente, o oposto também é verdade, suas peças estão sob o mesmo risco em relação ao bispo do inimigo.

Na questão da importância dessa peça para o jogo, dois bispos são considerados mais valiosos do que dois cavalos, ou do que um cavalo e um bispo juntos.

Entretanto, a ameaça oferecida por dois bispos é tão grande quanto a habilidade do jogador que controla seus movimentos.

Torre
No jogo de xadrez, cada jogador começa com duas torres.

O movimento dessa peça é ao longo de linhas retas – se houver espaço suficiente, ela pode ir de um lado a outro do tabuleiro em um único movimento.

As torres são mais efetivas no meio do tabuleiro. Como elas começam o jogo nas casas dos cantos, parte da sua estratégia de abertura tem que ser levar as torres para o centro de alguma forma, enquanto tenta mobilizar suas outras peças, preparando-se para o massacre que irá ocorrer no palco desse jogo medieval.

Duas torres operando juntas podem ser mais potentes do que uma rainha, se usadas com sabedoria.

O perigo vem das diagonais, o que significa que as maiores ameaças para a torre são o bispo e a rainha, à distância. Enquanto que, de perto, os peões, com o apoio certo, podem ser bem perigosos para suas torres.

Rainha
A rainha é de longe a peça mais potente e ofensiva no tabuleiro de xadrez.

Antigamente, quando o jogo era praticado na era Medieval, a rainha estava restrita a se mover uma casa por turno e somente nas diagonais. Ela era bem mais fraca nessa época.

Entretanto, com o passar dos anos e a evolução dos jogadas, a rainha ganhou uma maior variedade de opções de ataque. Ela combina o poder da diagonal dos bispos e a linha reta da torre.

Rei
Mesmo com as proezas da rainha, o rei é a sua peça mais preciosa no tabuleiro.

Se ele for atacado de uma forma que não exista mais nenhum movimento que ele possa fazer, o seu rei estará em uma situação chamada xeque-mate, e você irá perder o jogo, imediatamente após isso acontecer.

Não importa se você ainda tiver outras peças no tabuleiro, se o seu rei for encurralado no xeque-mate será o fim do jogo. Então, use suas peças sabiamente para proteger o seu rei, enquanto você tenta encontrar a fraqueza da estratégia do seu oponente.

Isso significa que o rei é totalmente inútil? Ele é vulnerável, mas pode contribuir para assegurar uma vitória, embora não possa fazer isso sozinho; você terá que possuir mais peças que seu oponente.

O rei pode ser usado para capturar peões que estão dispersos no tabuleiro, e, como um rei não pode ficar perto do outro no tabuleiro, você pode usar aquele que lhe pertence para taticamente cortar as rotas de fuga do rei inimigo.     


Tradução e adaptação: Professora Manuka.  


Veja também:

Lenda da origem do xadrez e dos grãos de trigo

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Jack O’ Lantern: a lenda do rosto esculpido nas abóboras

18:49:00 Professora Manuka 0 Comentários

De quem é o rosto esculpido nas abóboras que aparecem como decoração do Halloween? E quem foi Jack O’ Lantern? É isso que iremos explicar a seguir. Acompanhe:

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Todo mês de outubro, abóboras esculpidas espiam as pessoas nas varandas e nos degraus das portas das casas dos Estados Unidos e de outros lugares do mundo. Frutas alaranjadas (sim, abóboras são frutas) com formato de cabeça com rostos macabros cravados nelas, iluminadas internamente por velas são um sinal evidente de que o Halloween está chegando.

A prática de decorar os Jack O’ Lantern – esse nome vem de um conto do folclore irlandês sobre um homem chamado Jack Mesquinho – originou-se na Irlanda, onde batatas e nabos grandes serviam inicialmente como proteção para velas.

Os imigrantes irlandeses trouxeram essa tradição para a América, terra da abóbora, o que acabou tornando-se parte integrante das festividades de Halloween.

A lenda do Jack Mesquinho
As pessoas têm decorado os Jack O’ Lantern no Halloween por séculos. A prática originou-se de um mito irlandês de um homem conhecido pela alcunha de “Jack Mesquinho”.

De acordo com a lenda, Jack Mesquinho convidou o diabo para tomar um drink com ele. Fazendo jus ao seu nome, Jack não quis pagar pelo seu drink, então ele convenceu o diabo a transformar-se em uma moeda, para que Jack pudesse pagar pelas bebidas.

Uma vez que o diabo se transformou em uma moeda, Jack decidiu ficar com o dinheiro, colocando-o em seu bolso próximo a uma cruz de prata, o que impedia que o diabo voltasse a sua forma original.

Um tempo depois, Jack libertou o diabo, sob a condição de que ele não o incomodasse por um ano e então, Jack morreria, mas o senhor do inferno não levaria sua alma.

No ano seguinte, Jack enganou o diabo mais uma vez, fazendo-o subir em uma árvore para pegar uma fruta. Enquanto ele estava em cima da árvore, Jack entalhou um sinal da cruz no tronco dela, assim o diabo não poderia descer até que prometesse não incomodar Jack por mais dez anos.

Logo depois, Jack morreu. Como diz a lenda, Deus não poderia permitir que uma figura tão desagradável entrasse no céu. O diabo, triste com as peças que Jack pregou nele e mantendo sua palavra de que não levaria sua alma, também não poderia permitir sua entrada no inferno.

Sendo assim, ele enviou Jack de volta a Terra, para vagar pela noite escura segurando apenas um carvão em brasa para iluminar seu caminho. Jack colocou o carvão dentro de um nabo esculpido e tem perambulado pelo mundo desde então. Os irlandeses começaram a chamar essa figura fantasmagórica de “Jack of the Lantern”, cuja tradução é Jack da Lanterna, e depois a forma foi abreviada para “Jack O’ Lantern”.

Na Irlanda e na Escócia, as pessoas passaram a fazer suas próprias versões do Jack O’ Lantern, esculpindo rostos assustadores em nabos e batatas, colocando-os nas janelas ou próximo às portas para espantar o Jack Mesquinho e outros espíritos malignos ambulantes.

Na Inglaterra, as pessoas usam grandes beterrabas para fazer suas lanternas. Os imigrantes desses países trouxeram a tradição do Jack O’ Lantern quando vieram para os Estados Unidos. Eles logo descobriram que a abóbora, fruta nativa da América, era perfeita para confeccionar os Jack O’ Lantern.

Texto: History.

Tradução e adaptação: Professora Manuka. 

- Veja também: 

História do Natal: do paganismo a feriado americano


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Afinal, o que é ler um texto com proficiência?

19:14:00 Professora Manuka 0 Comentários

Já se perguntou o que significa a palavra proficiência? E como se faz para ler um texto com proficiência? É isso que iremos explicar neste texto. Acompanhe:

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O desenvolvimento tecnológico requer um leitor competente, isto é, um leitor que, diante de um texto escrito, tenha autonomia suficiente para realizar operações que vão desde a decodificação da mensagem no seu aspecto literal até o estabelecimento de um conjunto mínimo de relações estruturais e contextuais que ampliem a significação do texto a tal ponto que haja, efetivamente, apropriação da mensagem, do significado na multiplicidade de relações estabelecidas entre o texto e o leitor, entre texto e textos, entre texto e mundo.

Ao se falar na competência de estabelecer relações mínimas de significado, não se está querendo subestimar a complexidade do ato da leitura. Sabe-se que, por mais simples que possam parecer algumas relações estabelecidas a partir da leitura, o número de operações e habilidades exigidas para isso é muito grande.

Além disso, pressupõe-se também uma relação com o texto que desenvolva no leitor competências que contribuam para sua maior autonomia diante de qualquer tipo de texto – e quem sabe, no futuro, diante de qualquer tipo de linguagem – com o qual se defronte.

O exercício da leitura, na sala de aula, muitas vezes é prejudicado por falsas interpretações do que realmente significa ler.

A má compreensão do que está subentendido no processamento da leitura gerou práticas calcadas em modismos que enfatizavam processos intuitivos de compreensão de textos, pelo emprego de mecanismos de verificação, tidos como procedimentos para a compreensão, que se reduzem a clichês como “O que você achou do texto?”, ou “Qual a mensagem do autor?”, ou a comparações superficiais entre o texto e a realidade que cerca o aluno.

Interpretar identificou-se com abordagens espontaneístas, excessivamente empíricas. Não se percebeu a insuficiência desses procedimentos para o reconhecimento e a apropriação de mecanismos de linguagem contextualizados por intenções e circunstâncias.

Igualmente não se favoreceu um exercício que estimulasse a compreensão das relações internas que o texto estabelece em sua tessitura.

Não se pode esquecer que, para que o texto dialogue com o universo do leitor, é preciso que esse leitor mobilize conhecimentos prévios que possibilitem tornar o texto significativo.

Aqui serão tratados procedimentos descritos como níveis de abordagem do texto (v. BERTIN, Terezinha C. H. Linguagem e apropriação de conhecimentos. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo: 2000) ou como níveis de proficiência que o leitor deve atingir.

Os níveis de abordagem do texto podem ser assim descritos:

1. Compreensão imediata
Entendimento literal do texto, constatações, localização de dados e de informações, compreensão das unidades significativas do texto, reconhecimento da modalidade de linguagem construída a partir de intencionalidades mais explícitas, identificação do gênero a que o texto pertence.

Nota-se com alguma frequência o equívoco de se considerar esta instância óbvia demais e por isso desnecessária. Reitera-se que é um momento importante, pois, à medida que aumenta a complexidade dos textos, a atividade de localização de informações e levantamento de dados torna-se mais necessária. São as questões mais simples do estudo do texto, mas imprescindíveis.

Muitos são os alunos que, por não terem desenvolvido essa habilidade, cometem equívocos primários de leitura e de dedução de significados, inclusive em outras áreas do conhecimento.

2. Interpretação propriamente dita
Reordenação das ideias – explícitas ou implícitas – do texto, análise das relações possíveis entre os elementos que o compõem, relação dos elementos do texto com os dados do universo do leitor, verificação dos processos discursivos utilizados – argumentativos, informativos, estéticos ... – percepção das intenções explícitas e, principalmente, subentendidas, verificação das inferências realizadas pelo leitor, reconhecimento dos efeitos de sentido produzidos pelas escolhas composicionais e estilísticas.

Nesse nível, um dos maiores desafios da prática de leitura é sistematizar com o aluno a habilidade de estruturar inferências justificadas e/ou fundamentais nos elementos do texto. Aí reside o diferencial entre abordagens empíricas, meramente intuitivas, e uma abordagem que possa levar a uma interpretação consistente do texto.

Essa instância supõe ainda que o/a professor/a tenha clareza de que a interpretação propriamente dita é o momento em que a interlocução texto-leitor instiga as inferências possíveis, e não únicas ou exclusivas. Esse é um dos aspectos que fortalece a prática de leitura como prática essencialmente dialógica.

3. Extrapolação e crítica
Recriação do texto com outros propósitos, possível “leitura do mundo”, posicionamento do sujeito-leitor perante o texto, a partir das interpretações realizadas; apreciação crítica do texto e dos propósitos que presidiram a sua concepção.

Em uma reflexão sobre a prática de leitura que não pode ser esquecida a intertextualidade, sem dúvida um dos momentos mais ricos do diálogo leitor-texto.

O exercício da intertextualidade é também condição para o desenvolvimento pleno da prática da proficiência em leitura.

Extraído de:

Tudo é Linguagem – 8ª série. BORGATTO, Ana Maria Triconi; BERTIM, Terezinha Costa Hashimoto e MARCHEZI, Vera Lúcia de Carvalho. Editora Ática. São Paulo: 2006. 

- Veja também: 

ENEM: O que não escrever na introdução da sua redação

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As 30 afirmações mais equivocadas da História

22:12:00 Professora Manuka 0 Comentários

É curioso que existam tantas pessoas no mundo com medo do erro. Isso porque a história da humanidade é, na verdade, a história de um acúmulo de erros sucessivos. Acompanhe:

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Nem os maiores especialistas escapam do erro, nem os gênios, nem os mais ativos, uma vez que já foram feitas declarações muito equivocadas ao longo da história.

Para demonstrar isso, mostraremos trinta frases: as mesmas são predições e afirmações que em seu tempo pareciam inquestionáveis, mas com o passar da história revelaram-se como grandes “verdades” equivocadas. Veja:

“As máquinas voadoras mais pesadas do que o ar são impossíveis.” Lorde Kelvin, matemático britânico e físico, 1895.

“Um foguete nunca sairá da atmosfera da Terra.” New York Times, 1936.

“Tudo o que poderia ser inventado já foi inventado.” Charles Duell, comissário do escritório de patentes dos Estados Unidos, 1899.

“O cavalo está aqui para ficar, o automóvel é só uma novidade, uma moda.” Afirmação do presidente da caixa de poupança de Michigan, sugerindo ao advogado de Henry Ford que ele não investisse na Ford Motor.

“A televisão não vai durar. Não entrega nada de valor, apesar de ter um começo muito vistoso.” Mary Sommerville, pioneira da rádio educativa nos Estados Unidos, 1948.

“A televisão não durará, porque as pessoas logo se cansarão de olhar para uma caixa de madeira compensada todas as noites.” Darryl Zanuck, produtor da 20th Century Fox, 1946.

“A caixa de música sem fio não tem valor comercial imaginável. Quem vai pagar por uma mensagem enviada para ninguém em particular?” Associados de David Starnoff, em resposta à proposta deste para investir na rádio, em 1921.

“As viagens de trem em alta velocidade são impossíveis, porque os passageiros não poderão respirar, irão morrer de asfixia.” Dr. Dionysys Larder, professor de Filosofia Natural e de Astronomia da Universidade de Londres, 1793-1859.

“Custa muito para eu aceitar a Teoria da Relatividade, bem como a existência dos átomos e outros dogmas do mesmo estilo.” Ernst Mach, professor de Física da Universidade de Viena.

“A energia produzida pela desintegração de um átomo é algo muito insignificante. Quem espera obter uma fonte de energia da fissão desses átomos está dizendo bobagem.” Ernest Rutherford, descobridor do núcleo do átomo e Prêmio Nobel de Química.

“O céu e a terra foram criados juntos no mesmo instante, em 23 de outubro do ano 4004 a.C., às nove da manhã.” John Lightfoot, vice-reitor da Universidade de Cambridge, pouco antes da publicação da obra “A Origem das Espécies”.

“Os animais, que se movem, têm membros e músculos. A Terra não tem nem membros nem músculos, então, por consequência, não se mexe.” Scipione Chiaramonti, pai do Papa Pio VII.

“Não gostamos da música deles. Além disso, a música com som de guitarra está prestes a desaparecer.” Decca Recording Company, quando se negaram a firmar um contrato com os Beatles, 1962.

“Este ‘telefone’ tem muitas deficiências para ser seriamente considerado como um meio de comunicação. Esse dispositivo não tem valor para nós.” Informe interno de Western Union, 1876.

“Reagan não tem essa aparência presidencial.” Executivo da United Artists, depois de recusar Reagan como protagonista do filme The Best Man, em 1964.

“Creio que exista um mercado mundial para, talvez, cinco computadores.” Thomas Watson, presidente da IBM, 1943.

“Os raios X demonstraram ser um engano.” Lorde Kelvin, presidente da Royal Society, 1883.

“Quando todo mundo se familiarizar com o tema, ele será reconhecido como um fracasso evidente.” Henry Morton, presidente do Instituto Stevens de Tecnologia, sobre a lâmpada de Edison, 1880.

“Ninguém vai pagar um bom dinheiro para ir de Berlim a Potsdam em uma hora, quando se pode chegar lá em um dia montando seu cavalo de forma gratuita.” Rey Guillermo I da Prússia, sobre os trens, 1864.

“Não existe nenhuma razão para que um indivíduo tenha um computador em sua casa.” Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corporation (DEC), em uma conversa na World Future Society, Boston, 1977.

“Se o consumo de tabaco excessivo realmente tem algum papel no desenvolvimento do câncer de pulmão, o mesmo parece ser muito pequeno.” WC Heuper, Instituto Nacional do Câncer, 1954.

“Não, ela fará com que a guerra seja impossível.” Hiram Maxim, inventor da metralhadora, em resposta à pergunta: “Esta arma não fará a guerra ser mais terrível?” de Havelock Ellis, um cientista inglês, 1893.

“Nunca se construirá um avião maior do que esse.” Um engenheiro de Boing, depois do primeiro voo do 247, um avião bimotor com capacidade para transportar dez pessoas.

“Meu caro, como um barco poderia navegar contra o vento e as correntes acendendo uma fogueira debaixo do seu casco? Peço que me desculpe, não tenho tempo para escutar bobagens.” Napoleão Bonaparte, quando falaram para ele sobre o barco a vapor de Robert Fulton, 1800.

“A ideia de que a cavalaria será substituída por esses aparelhos de ferro é absurda. Não é nada mais do que uma traição.” Comentário de um assistente ao marechal de campo Heig, em uma demonstração de tanque em 1916.

“Devo confessar que minha imaginação se nega a ver qualquer submarino fazendo nada que não seja afogar sua tripulação e afundar no mar.” HG Wells, novelista britânico, 1901.

“O mercado comercial mundial potencial de fotocopiadoras é de 5.000, no máximo.” IBM, aos fundadoras da Xerox, argumentando que as fotocopiadoras não tinham um mercado suficientemente grande para justificar sua produção, 1959.

“Os estadunidenses precisam do telefone, mas nós, não. Temos um monte de mensageiros.” Sir William Preece, Engenheiro Chefe do Escritório dos Correios britânico, 1878.

“Vai desaparecer em junho.” Revista Variety sobre o Rock n’ Roll, 1955.

“Quando a Exposição de Paris (de 1878) terminar, a luz elétrica acabará junto com ela e não se ouvirá falar mais da luz elétrica.” Erasmus Wilson, professor de Oxford. 


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Uma maçã realmente caiu na cabeça de Newton?

10:29:00 Professora Manuka 0 Comentários

Essa é uma das histórias mais famosas da ciência. O jovem Isaac Newton estava sentado em seu jardim quando uma maçã cai em sua cabeça e, em um acesso de genialidade, ele aparece de repente com a Teoria da Gravidade. Acompanhe:

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A narrativa certamente foi embelezada, tanto por Newton quanto pelas gerações posteriores de contadores. Entretanto, qualquer pessoa com acesso à internet nos dias de hoje pode ver como que uma maçã que caiu inspirou o entendimento da força gravitacional.

A Sociedade Real de Londres está disponibilizando em formato digital o manuscrito original que descreve como Newton idealizou sua Teoria da Gravidade depois de testemunhar uma maçã caindo da árvore no jardim de sua mãe em Lincolnshire, embora não haja evidência de que ela o atingiu na cabeça.

Era o ano de 1666, e a peste tinha causado o fechamento de muitas construções públicas e assembleias. Newton teve que abandonar Cambridge e seguir para Woolsthorpe Manor, próximo a Grantham, em Lincolnshire. Ficando assim na modesta casa onde nasceu, para ponderar sobre problemas estelares que ele esteve pesquisando na universidade.

Ele estava particularmente obcecado com a órbita da lua ao redor da Terra e ao final raciocinou que a influência da gravidade deveria se estender a grandes distâncias.

Depois de ver como as maçãs sempre caem em direção ao chão, passou muitos anos trabalhando em fórmulas matemáticas que demonstrassem que a força da gravidade decrescia com o inverso quadrado da distância.

Mas que evidência havia que Newton tinha realmente sido inspirado por uma maçã que caiu? Ele não deixou nenhum relato escrito sugerindo isso, embora existam outros documentos indicando que ele falou com outras pessoas sobre isso quando ele estava em uma idade mais avançada.

Historiadores pontuaram outro relato escrito por um contemporâneo mais jovem de Newton, um antiquário e protoarqueologista chamado William Stukeley, o qual também escreveu a primeira biografia do maior cientista da Grã-Bretanha, cujo título era: Memórias da Vida de Sir Isaac Newton.

Stukeley também nasceu em Lincolnshire e usou essa conexão para ajudar o notoriamente mal-humorado Newton. Stukeley passava algum tempo conversando com o mais velho e ambos se encontravam regularmente como colegas na Sociedade Real e discorriam sobre diversos assuntos.

Em uma ocasião em particular em 1726, Stukeley e Newton partilharam um jantar em Londres.

“Depois de jantar, a temperatura estava quente. Fomos para o jardim e tomamos chá sob a sombra de alguma macieira; só ele e eu,” conforme escreveu Stukeley no manuscrito meticulosamente produzido de próprio punho e lançado pela Sociedade Real.

“Em meio à outra conversa, ele me disse que ainda estava na mesma situação de quando o conceito de gravidade apareceu em sua mente. Por que a maçã sempre caía perpendicularmente ao chão? – Ele pensava consigo mesmo -. Por causa da queda de uma maçã, ele sentou-se com uma feição contemplativa.”

“Por que ela não ia para o lado ou para cima? Por que vai sempre em direção ao centro da Terra? A resposta é que o centro da Terra a atraía. Deve haver um poder de atração nessa questão. Dessa forma, o poder de atração da Terra deve estar em seu centro e não em nenhum dos lados.”

“Por conseguinte, a maçã cai perpendicularmente ou em direção ao centro? Portanto, se a questão da atração é tão importante, ela deve ser proporcional à quantidade. Dessa forma, a maçã atrai a Terra, da mesma que a Terra atrai a maçã.”

Este é o relato mais detalhado da história da maçã, mas não é o único existente dos tempos de Newton. Ele também usava esse conto para entreter John Conduitt, o esposo da sobrinha de Newton e seu assistente na Casa Moeda Real, na qual Newton trabalhou em seus últimos anos.

Conduitt escreveu: “No ano de 1666, ele se afastou novamente de Cambridge e foi para a casa de sua mãe em Lincolnshire. Enquanto ele estava andando pensativo pelo jardim, veio ao seu pensamento que a força da gravidade (que atraiu a maçã da árvore para o chão) não era limitada a uma certa distância da Terra, mas sim que o seu poder se estendia muito além do que se costumava pensar”.

“Por que não uma distância tão grande quando até a lua e, então, influenciando seu movimento e talvez influenciando sua órbita? Ele trabalhou em um cálculo para o efeito daquela suposição.”

Ambas as interpretações do conto da maçã foram lembradas por Newton uns 50 anos depois. Isso realmente aconteceu, ou foi uma história que ele melhorou ou até mesmo inventou?

“Newton inteligentemente melhorou sua história com o tempo”, diz Keith Moore, diretora dos arquivos da Sociedade Real. “A história era certamente verdadeira, mas digamos que ela foi aprimorada com o tempo.” O conto da maçã se encaixava com a ideia de um objeto com o formato da Terra sendo atraído para o centro dela.

Existe também uma ligação com a história bíblica da Árvore do Conhecimento, pois sabia-se que Newton era muito religioso, disse ainda Moore.

Na casa de campo em Woolsthorpe, que pertence agora à organização Nacional Trust, a administradora da casa, Margaret Winn, disse que a mesma macieira, uma variedade que pode ser cozida e que é conhecida como flor de Kent, ainda cresce em frente ao lugar, com vista para a janela do quarto de Newton.

“Ele contou a história quando era idoso, mas as pessoas podiam se perguntar se realmente aconteceu”, disse Winn, que já cozinhou usando as maçãs.

Mesmo se esse conto vier da imaginação de um idoso, a história da maçã que caiu foi admitida pela história como o segundo momento “Eureka” na ciência, depois apenas de Arquimedes ao descobrir como encontrar o volume de objetos enquanto estava no banho.


Texto: Independent.

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