Gírias do hip hop/rap e seus significados

20:01:00 Professora Manuka 3 Comentários

No hip hop e nas letras de música do estilo rap encontramos muitas palavras próprias do vocabulário de quem está envolvido com esses movimentos. Acompanhe:

Imagem: Freepik.

As expressões são uma mistura de português e inglês, resultando em neologismos que podem variar de lugar para lugar ou, ainda, uma mesma palavra ter significados diferentes, dependendo da região.

Para facilitar a compreensão do que os integrantes do hip hop ou do rap falam, criamos uma lista das gírias seguidas de seus significados. Confira:

3D: conhecido também como Virtual, é um tipo de grafite que utiliza o jogo de luz e sombra para dar definição à forma.

4P: Poder Para o Povo Preto. Antigo lema do black power, retomado pelo grupo DMN.

À pampa: muito legal.

Atitude: palavra indispensável no vocabulário do hip hop. Eles geralmente dizem: “Para fazer parte do grupo não só é preciso ter consciência, mas também atitude.” Termo que sintetiza a linha de conduta que o grupo espera de cada um.

Back to back: performance dos DJs usando dois discos iguais, invertendo o sentido da rotação em intervalos aleatórios.

Baladas: festas.

Bass: tipo de batida rítmica mais pesada.

Bate cabeça: estilo de rap mais ouvido pelos skatistas. Tem uma batida forte e pesada.

B.boy: “b” é abreviação de break e boy significa garoto. O termo refere-se ao garoto que dança break, um dos elementos artísticos da cultura hip hop. Feminino: b.girl.

Beat: batida. Os grupos de rap cantam em cima de um fundo instrumental (base) de forte apelo rítmico.

Beat box: batida improvisada feita com a boca pelo DJ ou pelo rapper.

Bembolado: mistura de ideias.

Bite: escritor de grafite que copia o estilo de outro, aquele que não tem ideias próprias.

Bombeta: boné.

Box: radio gravador de grande porte usado nas rodas de break.

Boy: garoto rico ou de classe média.

Break: dança de solo, praticada em rodas, como a capoeira. Os movimentos são quebrados e assemelham-se, basicamente, ao de robôs.

Breakers: dançarinos de break.

Cabeça: pessoa esclarecida, consciente, engajada.

Cama de gato: armadilha, cilada.

Cap: bico, válvulas de spray.

Chapado: de hora, muito legal.

Chapô o côco: ficou doido.

Charm: estilo de rap mais melódico.

Chegado: amigo.

Chegar na humildade: quando o mano aproxima-se de alguém (ou fala de algum assunto) pela primeira vez tendo atitude democrática, sem tratar ninguém com indiferença.

Colar: andar junto, tornar-se amigo leal.

Crew: gangue.

Crocodilagem: traição.

Dance: gênero de música eletrônica cujo ritmo assemelha-se a um bate estacas.

Dar chapéu: enganar, enrolar.

Det: estivo de rap originário de Nova Iorque, com batidas mais lentas.

Discos de base: discos especiais, contendo apenas faixas com os instrumentais dos raps. Como a produção de uma base em estúdio é cara, a maior parte dos grupos de rap os utiliza, inclusive em gravações.

DJ: abreviatura de disc jóquei. No universo do rap, é aquele que faz os efeitos sonoros da música, como os scratches.

Dois palito: ser rápido.

Drum machine: instrumento eletrônico que produz as batidas pesadas do Miami bass.

Embaçado: demorado, perigoso, chato.

Fazer a correria: realizar um projeto.

Fazer a rima: comunicar, passar a mensagem.

Firmeza: com certeza.

Free style: estilo de grafite que não segue regras, técnicas e lugares. A espontaneidade é total, muitas vezes entrando em harmonia com o ambiente. Quando se refere ao rap, significa improviso nas rimas.

Funk melody: também conhecido como funk brega. Rap romântico de grande sucesso na indústria fonográfica.

Galerias: as Grandes Galerias, no Centro de São Paulo, onde fica a maior concentração de lojas que vendem discos de black music e rap nacional. Localizam-se na rua 24 de Maio.

Gambé: policial.

Gangsta rap: gênero de rap norte americano que faz apologia ao modo de vida dos gangsters dos guetos negros.

Gangue: para os leigos, denomina os grupos de jovens delinquentes. No hip hop, é uma organização de breakers, que também pode ser chamada de equipe ou crew.

Grafite: pintar ou desenhar (com spray ou tinta) muros, painéis, túneis, etc., com logotipos ou desenhos relacionados com o movimento hip hop. Utiliza letras tortas ou engarrafadas que fazem com que, muitas vezes, apenas os grafiteiros entendam o que está escrito.

Groove: parte da música que se repete, determinando os ritmos.

Keise (case): caixa de madeira, no formato de uma maleta, na qual o DJ carrega discos.

King: rei, o melhor dos grafiteiros.

Lagartixa: possui vários sentidos, mas em geral é um termo pejorativo. Está associado àquele que não tem consciência política. Jovem que adere ao movimento hip hop apenas por modismo.

Looping: repetição de um ciclo rítmico (groove) indefinidamente, geralmente via sampler, ao longo da música.

Lóqui: otário, bobo.

Mano: aquele que é reconhecido como um igual dentro do movimento hip hop.

MC: abreviatura de máster of ceremony (mestre de cerimônias). Rappers que cantam e animam os bailes.

Miami bass: gênero de rap de ritmo acelerado, com batidas pesadas e versos curtos, originário de Miami (EUA). As letras falam do cotidiano de forma engraçada. Executado no rio de Janeiro, onde ficou conhecido como funk carioca.

Mil grau: afirmação feita pelos manos quando acreditam, gostam, apoiam ou valorizam alguma atitude. Exemplo: Os Racionais é mil gral.

Miliduca: nome dado ao toca discos Technics MK2, muito utilizado em bailes.

Mina: garota.

Mixer: aparelho que, além de unir os toca discos, ajusta a sincronicidade dos vinis; com ele criam-se os efeitos musicais.

New school: nova escola do hip hop.

Old school: velha escola do hip hop.

Paga pau: delator, dedo duro.

Paletó de madeira: caixão.

Pick up: toca discos. Os rappers referem-se ao uso combinado dos dois pratos em uma pick up, uma herança da disco mobile jamaicana. A possibilidade de o som ser reproduzido simultaneamente pelas pick ups conectadas possibilita a performance dos DJs.

Pico: lugar, local.

Piece: pedaço, uma letra ou personagem bem pintado, com boa elaboração e contexto. Geralmente refere-se a um grafite feito em uma área pequena.

Piecebook: agenda ou caderno com esboços, desenhos e assinaturas.

Playboy: rapaz de classe média ou classe alta.

Posse: quando dois ou mais grupos de rap se reúnem, formando uma turma ou associação, para realizar ações sociais na sua comunidade.

Produção: painel grande feito por um ou vários grafiteiros juntos, formando, na maioria das vezes, um só contexto.

Quebrada: lugar ou bairro/cidade do hip hopper.

Racha: disputa de dançarinos de break para decidir quem é o melhor.

Radicais: rappers que atacam em suas letras o racismo, a polícia, o sistema, tudo com o que não concordam, procurando, de acordo com suas concepções, uma solução.

Rap: abreviatura de rythm and poetry (ritmo e poesia). Estilo de música em que um DJ e um ou mais rappers se apresentam cantando sobre uma base instrumental a letra falada ou declamada. Há vários tipos de rap: def, bass, Miami, hip house, ragamurf, etc.

Rappers: aqueles que cantam ou compõem o rap.

Sampler: instrumento eletrônico dotado de memória para os sons selecionados, amplamente utilizados pelos rappers. Normalmente é acoplado a um mixer, o que permite realizar colagem de sons pré-gravados durante a execução de uma música pelo DJ ou inseri-las no processo de mixagem de uma música.

Sampling (“samplear”): apropriação de materiais previamente gravados, normalmente sem observar direitos autorais previstos em lei.

Sangue bom: amigo, colega.

Scratch: efeitos sonoros produzidos pelo atrito entre a agulha do toca discos e o próprio disco.

Sequência: montagem feita pelo DJ com vários sucessos do momento.

Silverpiece: grafite feito com tinta cromada.

Single: disco ou CD com apenas duas ou quatro faixas; antigo compacto.

Smurf: dança dos rappers, com passos que lembram o funk.

Som: nome dado pelos hip hoppers às festas, especialmente as que acontecem nas ruas.

Spraycanart: grafite feito à mão livre com tinta spray.

Stencilart: grafite feito com moldes prontos.

Street dance: dança produzida pelos dançarinos de break. Muitas vezes nas festas estabelecem-se longas disputas entre os breakers de diferentes turmas.

Style: a atitude dos b.boys, que se reflete no jeito de vestir, falar e dançar. Para ser um b.boy é preciso “andar no style”.

Sucker MC: MC que se apropria das ideias do outro.

Tag: assinatura dos grafiteiros feita com marcador ou spray.

Throw up (vômito): grafitar em qualquer superfície algo rápido, pouco elaborado, com o uso de duas ou três cores.

Top to bottom (de cima a baixo): quando um carro de metrô é pintado de cima a baixo.

Toy: brinquedo, o cara que se mete a ser escritor de grafite e não sabe o contexto da cultura hip hop.

Trairagem: traição.

Treta: confusão, briga.

Truta: o termo inicialmente tinha apenas o sentido pejorativo e significava protegido, submisso. Atualmente, “truta de verdade” tem também sentido positivo. Refere-se a lealdade, companheirismo e amizade.

Vacilão: bobo, a quem os outros enganam facilmente.

Whole car (carro todo): um lado do metrô todo pintado.

Wild style: estilo selvagem de grafite, letras complicadas, entrelaçadas, formas mais agressivas e ilegíveis.

Yo!: gritos de exaltação, geralmente utilizado para animar o público em shows e festas.


Zé povinho: aquele que promete e não faz. Pessoa com pouca atitude ou atitude duvidosa. Aquele que joga contra os valores e pessoas do movimento.


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3 comentários:

  1. Bom o post! Sou tradutor e estava precisando de alguns esclarecimentos. Me salvou!

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    1. Obrigada pela sua visita, volte sempre que precisar. :)

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