Fiz licenciatura, mas não quero ser professor

“A faculdade não prepara para a realidade da escola pública, professor não é espeitado, professor ganha mal, professor adoece, professor é ameaçado ou agredido, não quero mais ser professor.”

Imagem: Freepik.

Quase todo professor se identifica com alguma das frases que acabei de citar. Realmente, o trabalho de professor pode ser muito difícil e alguns tem vontade de seguir outra coisa.

Eu não julgo quem quer desistir de ser professor. Às vezes o cansaço físico e mental é tão grande que colegas de profissão têm crises de choro, crises de ansiedade ou até mesmo depressão.

Diante disso, muitos pensam em desistir. Creio que cada um sabe onde o sapato aperta e se a pessoa quer desistir é porque deve ter seus motivos.

Prefiro alguém que tem a dignidade de buscar um novo caminho do que aqueles que ficam frustrados em sala de aula e acabem descontando nos alunos.

Quem nunca teve um professor frustrado? Eu já tive e não é bom para o aprendizado nem para a saúde mental do professor nem do aluno.

Sei que o novo assusta, mas nós só temos uma vida, então devemos buscar vivê-la da melhor forma que pudermos.

A vida é muito curta para passar um terço dela em um lugar que você não quer, fazendo algo que você não gosta.

Sem mais delongas, vamos falar sobre as possibilidades de quem não quer ingressar na sala de aula.

Essa primeira parte é indicada se você ainda quer permanecer no ambiente escolar ou gosta de ensinar. A segunda parte serve para quem quer deixar a sala de aula.

1. Curso de secretariado escolar
O secretário escolar é o profissional que trabalha na parte burocrática. Faz matrículas, transferências, organiza documentos, faz ofícios, entre outras funções.

Geralmente, é preciso fazer o curso técnico em secretariado escolar, que dura um ano ou um ano e meio.

É preciso desembolsar tempo e dinheiro, pois é como se fosse uma especialização.

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2. Psicopedagogia
A psicopedagogia possibilita trabalhar em escolas, empresas ou em hospitais e clínicas, mas é preciso verificar antes com a instituição que oferece essa especialização se o curso contempla essas áreas.

Em uma escola, o psicopedagogo vai trabalhar as dificuldades de aprendizagem dos alunos, utilizando jogos, programas de computador ou até mesmo material reciclado.


Em empresas, geralmente trabalha diretamente com o público, principalmente em setores que ofereçam cursos e capacitações para os funcionários, pois sempre é necessário montar conteúdos, buscar metodologias práticas de ensino para adultos e auxiliar quem tem dificuldades de aprendizagem.

Em hospitais e clínicas, geralmente auxiliam crianças com dificuldades de aprendizagem junto a uma equipe multidisciplinar, buscando alcançar seu nivelamento com a turma.

Lembra bastante a atuação em escola e às vezes pode até ser necessário ter contato com professores desses alunos para montar a melhor abordagem para aquele paciente.

Mais uma vez temos o gasto financeiro e de tempo. Uma especialização geralmente dura um ano e meio, às vezes atrasando um pouco mais.

3. Coordenação, supervisão e gestão escolar
São cargos que requerem também especialização e trabalham com questões burocráticas como repasse de recursos, elaboração de calendário escolar, ofícios, notas fiscais e reuniões com a secretaria de educação.

Esses cargos geralmente são de confiança, ou seja, você precisa ser conhecido por alguém da secretaria de educação que vai lhe indicar.

Por vezes há concursos para esses cargos, mas a maior ocorrência é por indicação.

São também os cargos com os salários mais altos, o de diretor escolar é aquele com o maior salário e, se a pessoa indicada para esse cargo já for concursada, aí entram gratificações por promoção que deixam a remuneração mais encorpada.

4. Trabalho em ONG’s
Muitas ONG’s trabalham com a parte educacional e contratam pessoas formadas em licenciatura.

Às vezes os salários se aproximam aos que são pagos em escolas, com muito menos “formalismos”.

Nesse caso, não é necessário elaborar provas, trabalhos, preencher diários ou dar notas.

Geralmente, o que se busca nesses projetos é auxiliar os alunos em suas dificuldades de aprendizagem, usando materiais lúdicos que podem até ser confeccionados junto a eles.

Às vezes, o professor gosta de ensinar, mas fica exaurido com tanto trabalho levado para casa.

Dessa forma, um trabalho com menos questões burocráticas pode ser aquilo que ele estava procurando.

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5. Trabalhar na biblioteca da escola
Geralmente quem trabalha em biblioteca é formado em biblioteconomia. Esse profissional trabalha em bibliotecas públicas ou de universidades ou em arquivos de repartições públicas.

Nas escolas públicas, acontece o caso do professor que é reconduzido para trabalhar na biblioteca por causa de questões de saúde, as quais foram adquiridas pela prática em sala de aula.

Nesse caso, o tempo de aposentadoria aumenta, já que ele não está exercendo a função de professor.

6. Oferecer reforço ou curso
Uma conhecida minha trabalhou como professora em escola. Depois de um tempo, ela utilizou o espaço de uma loja do marido, decorando e colocando mesas e cadeiras, para fazer seu próprio reforço.

Se tiver uma garagem ou um espaço na sua casa, você pode optar por dar em sua própria casa, mas lembre-se de oferecer um ambiente silencioso.

Cobrando um preço de mercado de acordo com sua cidade, com turmas de 10 ou mais alunos se quiser, cada turma por uma hora ou uma hora e meia, você pode tirar um bom dinheiro. E ainda não vai precisar levar trabalho para casa, fazer provas, etc.

O outro ponto é dar um curso. Se você é formado em inglês ou espanhol, por exemplo, pode abrir um curso de idiomas.

Nesse caso, você vai ter que elaborar apostila, fazer provas e emitir um certificado, pois as pessoas sempre buscam certificados para apresentar em seletivas de emprego.

Não gosto de ensinar e não quero mais ser professor
Nessa segunda parte, temos o caso de pessoas que não se identificaram com a sala de aula, não gostam de escola e querem mudar radicalmente de área.

O que eu diria é: vá se preparando financeiramente. Não compre carro ou apartamento se você não quer permanecer nesse emprego.

As soluções aqui podem ser a médio e longo prazo, mas o tempo irá passar de qualquer forma. Então, é melhor usar seu tempo para mudar sua vida.

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1. Fazer um concurso em outra área
Existem concursos que exigem somente o nível médio em diversos órgãos e pagam três, quatro ou cinco mil reais.

Claro que são muito concorridos, mas se você se dedicar a estudar diariamente, pode acumular o conhecimento necessário para sua aprovação.

Existem os concursos temporários, que podem render uma boa ajuda financeira nesse meio tempo.

Algumas pessoas têm receio de fazer concursos temporários, porém eu indico a experiência.

Vou deixar aqui minha visão sobre esse tema e minha experiência no concurso do IBGE. É só clicar no link abaixo:


Existem concursos de nível superior que aceitam qualquer curso. Nesses, o salário é mais alto.

2. Fazer outra faculdade
Aqui você terá pelo menos mais quatro anos de investimento de tempo e investimento financeiro.

Recomendo essa solução para quem tem muita vontade de fazer a segunda graduação, pois sabemos que a faculdade requer trabalhos escritos, seminários (com todas as dificuldades de trabalhar em grupo) e cursos, pois temos que apresentar as horas complementares no final da graduação.

Uma de minhas professoras de química se formou em medicina. Não me pergunte como ela conseguiu equilibrar trabalho de professora e três filhos com uma faculdade de medicina. Ela é minha heroína.

Uma colega de faculdade é professora durante o dia e faz faculdade de engenharia civil à noite.

É, sem dúvida, um processo muito desgastante. Entretanto, se você tem uma vocação e decidiu que vai mudar de área, invista.

Mesmo que você faça menos cadeiras na faculdade e se forme com 5 ou 6 anos. O que importa é que você está trabalhando na solução do seu problema.

Chegamos ao final desse texto que ficou bem longo, mas espero que tenha ajudado alguém que estava perdido ou angustiado. Espero que encontre uma profissão que lhe edifique. Boa sorte.

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