Como seria se ninguém precisasse mais comer?

15:31:00 Professora Manuka 0 Comentários

Comer é uma das necessidades básicas de qualquer ser humano. E se, um belo dia, deixasse de ser? Quais seriam as implicações na nossa vida diária desse acontecimento hipotético? Acompanhe:

Imagem: Freepik.

Nessa divagação, iremos cogitar o impacto que causaria no mundo o fato de que toda a população, de uma hora para outra, não precisasse mais de comida.

Nesse caso, estamos englobando todo e qualquer alimento: carnes, leite e derivados, frutas, verduras, algas, insetos e toda fonte de alimento externa ao ser humano.

Imagine que nos tornamos todos autótrofos (seres que fabricam seu próprio alimento). O que aconteceria?

1. Seria o fim dos rebanhos e criações de animais para abate
A própria natureza se encarrega de equilibrar a quantidade de indivíduos por espécie. Uns são extintos por não se adaptarem ou sua população é controlada por um predador.

Entretanto, a intervenção humana pode atrapalhar esse equilíbrio. Naturalmente, espécies como galinhas, bois e patos (entre outras que são consumidas pelo ser humano) viveriam na natureza e estariam sujeitas às suas leis.

Com o surgimento das primeiras comunidades humanas, surgiu também a criação de animais para o consumo. Conforme a humanidade cresceu em número, a demanda por carne também cresceu.

Segundo pesquisa divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 2014, o rebanho bovino mundial está estimado em 1,03 bilhão de cabeças (fonte aqui).

Dessas, 329,7 milhões estão na Índia e em segundo lugar está o rebanho brasileiro, com 208 milhões de cabeças.

Caso não fosse a necessidade humana de comer carne, essas espécies não chegariam a números tão exorbitantes e não seria gasto tanto dinheiro com a criação, abate e produção de carnes e derivados.

Dessa forma, não haveria necessidade de manter esses rebanhos bovinos, nem a criação de aves, peixes ou outros animais sem que deles precisássemos, pois seria um investimento sem retorno. 

2. Seria o fim dos açougues e de empresas que fabricam produtos vindos da carne
As empresas que compram a carne animal para proporcionar cortes diversos e produtos derivados como salsicha, nuggets, salames, linguiças e embutidos riam falir sem ter quem os comprasse.

As fábricas iriam fechar assim como as empresas que trabalham no transporte e também os laboratórios de pesquisa para o melhoramento dessas espécies.

Bois, galinhas, peixes e afins não teriam mais tanta ênfase no mercado. Talvez, cursos como agronomia e engenharia de pesca fossem extintos, pois, sem demanda, essas espécies seriam apenas de estimação ou viveriam livres na natureza.

Quem se preocuparia com o bem estar delas seria apenas o veterinário.

O mercado pesqueiro também iria falir, já que ninguém iria consumir mais ostras, peixes, camarões, polvos, arraias e algas.

3. Seria o fim da agricultura
Não seria mais necessário plantar. Não só para o consumo humano, mas também para a fabricação de ração para alimentar os rebanhos.

A profissão de agricultor seria extinta. Além disso, todo o setor que fabrica o maquinário necessário para o plantio, manutenção e colheita seria prejudicado.

Não seria necessário também que ninguém transportasse frutas, verduras e legumes para feiras e supermercados.

Sem ter quem compre, uma vez que não é mais necessário comer, a profissão de feirante iria acabar. A agricultura familiar e de subsistência, também.

4. Seria o fim de multinacionais como MacDonald’s, Nestlè e afins
Muitas empresas multinacionais como MacDonald’s, Nestlè, Maggi, Cacau Show e tantas outras que lidam com alimentação iriam falir.

Ninguém precisaria mais comer chocolate, hambúrguer, saladas, nem mesmo cozinhar.

Mais uma vez, toda a rede de transporte e distribuição seria afetada, assim como todos que trabalham nelas.

Não haveria mais atendentes nessas empresas. Assim como ninguém seria mais presenteado com um chocolate no dia dos namorados nem tomaria um milk shake num passeio.

5. Seria o fim dos supermercados
O local que reúne uma grande variedade de produtos alimentícios não seria mais necessário. Afinal, ninguém come.

Todas as pessoas que trabalham nos supermercados, como atendentes, caixas, ajudantes, gerentes, empacotadores e outros.

Talvez alguns ainda existissem, mas reunindo outros produtos não alimentícios, como os de higiene pessoal.

6. Haveria mais espaço disponível no mundo
Segundo números divulgados em pesquisa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para os anos de 2015/2016 veiculada no portal Embrapa, temos uma área de soja plantada no mundo equivalente a 119,732 milhões de hectares (fonte aqui).

Segundo o mesmo site, o trigo ocupa no mundo uma área de 221,3 milhões de hectares.

Considerando que 1 hectare é igual a 10.000 m2, temos que as áreas de soja e trigo juntas somam, aproximadamente, 3.410.000.000.000 m2 (quadrilhões). Esse número já é assustadoramente grande, imagine se somarmos toda a área plantada da face da Terra.

Teríamos muito mais espaço, tanto para moradia ou construção de outras estruturas, como também para a vida animal e vegetal se desenvolver.  

7. A população mundial iria aumentar
De acordo com relatório publicado em 2015 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 750 milhões de pessoas no mundo passam fome (fonte aqui).

Obviamente, uma situação hipotética como não precisar comer não é a solução para esse problema, e sim ações que busquem sanar as fontes causadoras desse quadro, de acordo com as necessidades e realidades de cada população envolvida.

Dito isso, o número de pessoas no mundo iria aumentar, já que haveria menos mortes por essa causa específica.


Além disso, outro fator contribuiria para o aumento populacional: o fim do consumo de alimentos gordurosos, cheios de conservantes, de sódio e de outras substâncias que, em longo prazo, causam doenças como colesterol alto, hipertensão, diabetes e até infarto.

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